Reportagem: Catarina Carneiro
Edição: Ludmylla Altoé e Carlos Augusto
O lançamento da nona revista Global e a apresentação do grupo Manguerê marcaram o final das discussões de terça-feira no Seminário Internacional “A Constituição do Comum: Comunicação e Cultura na Cidade” . Além da nova edição da revista, também foram apresentados ao público os livros Estética da Multidão, de Bárbara Szanieck, Glob(Al), de Giuseppe Cocco, e Revoluções do Capitalismo, de Maurizio Lazzarato. Os dois acontecimentos (lançamentos e apresentação) resumiram o tema proposto pelo seminário.
Comunicação
A revista Global representa a comunicação: uma proposta elaborada pela Universidade Nômade, que não é um espaço físico e sim ideológico, constituído por docentes, alunos e grupos populares. Giuseppe Cocco, editor da revista, esclarece sobre o tema:
“A revista Global é uma proposta de discutir a globalização numa perspectiva na qual não é vista como um problema, mas como uma oportunidade, inovando com relação a querer respeitar o mundo constituido pela oposição entre o discursso contra a globalização e o discursso ‘apologético’, diretamente a favor”.
Cocco falou ainda que a revista não trabalha com um público-alvo, permitindo-se de ser lida por qualquer idade, sexo, classe social, grau de instrução e, principalmente, posição a respeito da globalização.
Cultura
O grupo Manguerê cumpre com grande competência a tarefa de representar a Cultura neste seminário. No projeto, os jovens da Ilha das Caieiras, em Vitória, pesquisam os ritmos regionais do Brasil e também as músicas pop até produzirem o próprio som. O manguerê tem ainda um grupo de teatro, uma trupe de circo e agora está implantando o núcleo de memória audio-visual, que trabalhará para resgatar a memória da comunidade. Mas a missão do grupo vai para além das artes: “A nossa missão é promover a inclusão social, a paz e desenvolvimento humano de crianças e jovens da região”, definiu Fábio Carvalho, gestor do Manguerê e presidente do Centro Cultural Caieiras.
Os jovens que participam do projeto concordam: “No projeto aprendi muitas coisas que não sabia e conheci também muitas pessoas”, conta Sunchine de Souza, de 20 anos, a participante que está a menos tempo no Manguerê – seis meses- e pretende fazer a faculdade de música. Seu colega, Rômulo Ramalhete, 30 anos, é o que está a mais tempo no grupo, três anos. O secretário, tesoureiro, produtor e fundador do Manguerê resumiu em uma plavra o que o grupo representa para ele: “Respeito”. E justifica:
“Na minha comunidade, se você não estiver na área de culura, vai ser sempre tratado com bandido”.
Participações especiais
Para incrementar ainda mais o batuque do Manguerê, subiu ao palco o cantor Pedro Luiz e em seguida o capixaba Juliano Gauche. Muito oportunamente, os cantores e o grupo homenagearam o cachoeirense Sérgio Sampaio e levantaram o público com o refrão batucado “eu quero é botar meu bloco na rua”.
Como uma aula foi este segundo dia de seminário: as teorias discutidas nas palestras e em seguida praticadas nos lançamentos e no show.
Sobre os autores dos livros:
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