Reportagem: Ludmila Pecine e Mônica Oliveira
Edição: Juliana Tinoco, Regina Trindade e Carlos Augusto
“Dinâmicas Metropolitanas e Políticas de Desenvolvimento” foi o tema da tarde no penúltimo dia de seminário. Tornar a cidade espaço de integração, onde a diversidade cultural possa confluir para interesses comuns de seus habitantes, foi colocado pelos palestrantes como o grande desafio a ser superado na era “pós-industrial”.
A mesa foi composta pelo coordenador do Programa Cultura Viva, do Ministério da Cultura (MinC), Célio Turino, pela professora do Departamento de Arquitetura da Ufes, Clara Miranda, pelos sociólogos do CNRS e Institut Français D’Urbanisme, da França, Thierry Baudouin e Michèlle Collin.
Durante a explanação Célio Turino, do MinC, ressaltou que o modelo civilizatório pelo qual o Brasil passou naturalizou formas de preconceitos e atitudes de exclusão. Para ele, a falha na construção de uma escola pública de qualidade foi um dos fatores que desencadeou o processo de cultura da violência vivenciada no país, como por exemplo em cidades como Vitória. Turino considera a escola como um espaço de encontro da diversidade cultural, uma vez que nela pessoas de origens diversas estabelecem contato diário. A formação de espaços como condomínios e shopping centers que contribuem para a concentração de culturas e riquezas, foi outro ponto destacado.
“Temos que buscar construir outro caminho: uma cultura de caráter emancipador e não de preconceitos ou aprisionamentos”, declarou Turino.
O coordenador do Programa Cultura Viva defendeu ainda o desenvolvimento de Softwares livres como algo simbólico na formação de conceitos colaborativos entre os indivíduos.
A importância das cidades portuárias para a cultura metropolitana foi o foco da palestra do sociólogo Thierry Baudouin. Para ele, a dinâmica da globalização demanda territórios produtivos que acompanhem esse fluxo. Segundo ele, é preciso observar as potencialidades locais considerando a atual configuração social, na qual as relações se dão de forma aleatória e a cooperação surge como fundamental.
“Não existe um método comum a toda cidade para poder se ligar à globalização. É preciso que cada cidade encontre seu próprio método para expressar suas potencialidades no processo de globalização”, afirmou Baudouin.
Nesse contexto, o papel produtivo da democracia surge como condicionante da produção cultural e os múltiplos interesses, na metrópole, convergem para interesses comuns. A visão da metrópole como o comum contextualizado surge por meio do sentimento de pertencimento à cultura nela existente.
A participação dos moradores na elaboração dos projetos arquitetônicos das cidades foi o ponto central da fala da sociológa Michèlle Collin. A idéia do novo urbanismo leva em consideração a mobilização de todos atores da cidade. A forma de atuação das prefeituras, ao inventar equipamentos e desenvolver modelos arquitetônicos sem levar em consideração práticas e costumes da população local, foi um dos exemplos dados.
“Espaço público como o espaço da diversidade: como organizá-lo de forma que também seja um espaço comum?”, questiona Collin acerca de seu objeto de estudos.
A economia capixaba, fomentada por grandes empresas de mineração, siderurgia e celulose, foi destacada pela professora do Departamento de Arquitetura da Ufes, Clara Miranda, na última palestra dessa tarde. A partir de seus estudos, a professora observa a região metropolitana de Vitória como um território de passagem, com fluxos do comércio internacional, sem perder as particularidades locais.
O “Seminário Internacional Constituição do Comum – Comunicação e Cultura na Cidade” segue com show do Grupo Sandália de Pescador, às 21 horas e lançamento do documentário “Anjo Preto” do estudante Gui Castor, às 20 horas, na Estação Porto.