Entrevista: Juliana Tinoco e Eduardo Valente
Edição: Juliana Tinoco, Regina Trindade e Carlos Augusto
Acordo sabendo que o dia seria cheio. O telefone toca. Era Eduardo Valente, meu amigo Dudu. “Estou hoje no Porto porque a Rê (Regina Trindade) disse que você está precisando de ajuda nas entrevistas”. E estava mesmo. Na segunda-feira “travei” ao tentar fazer uma entrevista, em francês.
Saí de casa: chuva! Cheguei ao seminário e logo encontrei Dudu, “Vamos conversar lá fora?!”. No pequeno lugar reservado aos fumantes e embaixo de chuva, encontramos Antoine Resbicoul e Andrea Fumagalli, ainda desconhecido por Dudu em seu primeiro dia. “Bonjour!”. Assim começou uma conversa descontraída que só terminaria mais tarde. Meu nervosismo não diminuiu, pensei em desistir. “Relaxa”, disse Dudu. Pegamos a pauta, e depois da palestra “Criação de ativos imateriais para o desenvolvimento das cidades” fomos conversar com Antoine, dessa vez com gravador e câmera fotográfica em punhos.
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- Aos atributos do que julga e de acordo com o exposto na palestra, como aborda o capitalismo nas suas estruturas?
- No capitalismo, a construção dos capitais gira em torno daquilo que se organiza. A economia ortodoxa classifica a forte conexão entre bens e valores que como questão é parte do neo-capitalismo. Então, se as firmas organizadas custeiam as operações, o capital irá calcular o custo de oportunidade. Ele não é livre, ele é o custo de oportunidades. Ou seja, nós desenhamos nossas empresas, organizações e corporações, fazemos o “design” delas, porque ela pega só as intenções dos impostos (Risos). Logo, o cliente é o maior tributário de todos, pois parte dele o desejo. Fala-se, ainda, nas grandes corporações que projetam o que é capitalismo cognitivo e tentam socializar um capitalismo econômico. Como as tais corporações são grandes acabam por capturar as intenções de socialização que nós mesmos bancamos o tempo todo. O capitalismo torna-se cognitivo em níveis que rompe a fronteira entre bens e valores.
- O que conceitua como “input” e “outcoming”?
- São definições, termos que são dados das externalidades e internalidades empresariais. Não se fala de um capitalismo voltado para uma cognição educativa, é um mercado de trabalho junto com seus valores que caracterizam e determinam o resultado de uma produção, isso é chamado “input”. Dessa forma, o “outcoming” torna-se o ato de resposta em produzir. Assim sendo, torna-se importante a análise do contexto dos serviços e etc.
- De que forma o desejo, que é lançado sobre a sociedade de consumo, estimula a comercialização e a socialização?
- De forma diversificada as empresas estruturam os anseios da sociedade. O poder das grandes empresas em se afirmar na sociedade como uma marca forte é o mesmo que atribui a ela a noção de completude. Ou seja, uma marca é tão boa, tão forte e tão poderosa que talvez ela seja mesmo o que mais de completo exista. (Risos.)
- Os publicitários seriam demônios?
- (Risos) Eles são também parte da produção. Esse tipo de economia intangível é ditada pelo marketing. O marketing operacional e também as mídias alternativas são suportes econômicos de onde se tem o sustento de um mercado. Os publicitários são só operadores e acreditam nas verdades que eles próprios afirmam.
-Você acredita que as grandes corporações nos gorvenarão um dia?
- Elas, ao menos, já são poderosas.
[...] me convenceu. Eis a reportagem que ela fez em parceria com Thaís Paoliello. Também tem essa entrevista feita por Juliana Tinoco e Eduardo [...]
As introspecções da entrevista são maiores que em qualquer outra.
hahahah
não vale.
Au revoir.