Reportagem: Fernanda Oliveira e Regina Trindade
Edição: Catarina Carneiro e Carlos Augusto
A Estação Porto e o Seminário Internacional “A Constituição do Comum: Comunicação e Cultura na Cidade” foram o palco para a II Mostra Curta Grav, uma exibição de curtas nacionais organizada por alunos do Grupo de Estudos Audiovisuais da Ufes (Grav), que tem por objetivo estudar o cinema e os vídeos contemporâneos. A segunda edição da mostra utilizou produções da Universidade Federal Fluminense (UFF), principalmente as obras do diretor Gustavo Acioli, ex-estudante da UFF.
A mostra contou com a exibição de oito curtas, quatro do diretor Gustavo Acioli e outros quatro que compõem o “Panorama UFF”, todos em película 35 mm. Para tanto, foi utilizado um projetor do Cine Metrópolis, sendo inaugurado o “Projetor Itinerante”, projeto que irá viajar todo o Espírito Santo com projeção de curtas e longas para população.
Os curtas de Acioli exibidos foram: Cão Guia (1999, cor, 18 min), Numa noite qualquer (2001, cor, 11min), Nada a declarar (2003, cor, 9min) e Mora na filosofia (2004, cor, 9 min), nesta ordem. Nada a declarar e Mora na Filosofia encontram-se disponíveis para visualização no site do diretor.
O Panorama UFF, por sua vez, exibiu os curtas Uma estrela para Ioiô (2003, p&b, 15 min), O nome dele (o Clóvis) (35mm, 2004, cor, 15 min), O brilho dos meus olhos (2006, cor/p&b, 11min) e Jonas e a Baleia (2006 , cor, 19 min 30 seg).
Antes da mostra, o palestrante Andrea Fumagalli exibiu Mayday, um curta italiano de 2006 sobre o movimento dos Precários, trabalhadores que saíram nas ruas para manifestar melhores condições de trabalho. O curta narra o drama psicológico de um trabalhador que vê em seu sonho essa manifestação e a partir dele consegue enxergar uma outra possibilidade para sua situação.
A partir desta sexta-feira, dia 25, o Cine Metrópolis exibirá os curtas da Mostra. No mesmo dia, estréia o primeiro longa de Gustavo Acioli, Incuráveis, com a participação de Dira Paes. As sessões serão às 17h40 e às 21h10, sendo que a última contará com a presença do diretor para um debate.
Leia mais sobre os oito curtas:
Gustavo Acioli
Cão Guia
O curta foge do lugar comum “vamos incluir socialmente o deficiente físico” e das abordagens atuais do tema. O diretor apresenta uma visão peculiar sobre quem é de fato deficiente e liberta o espectador do quase sentimentalismo que ameaça a platéia no início da película.
Numa noite qualquer
Segunda projeção da noite, o filme mostra a relação de um casal com um filho pequeno e o ciúme de um homem que disputa com o bebê a atenção de sua mulher. Apesar da aparência banal do tema, o curta põe em questão o complexo de Édipo, manifestado pelo homem que busca na esposa a figura materna.
Nada a declarar
Um só plano fixo, o protagonista em um monólogo. A consistência e a rapidez na profusão das idéias evita que o tema fique chato. O ator discorre sobre a mediocridade da mídia e da sociedade brasileira.
Mora na filosofia
Panorama do Brasil ambientado na favela e nas ruas do Rio de Janeiro. Uma discussão acerca do peso da vida baseada em textos de Platão.
Panorama UFF
Uma estrela pra Iôiô (Bruno Safadi)
Utilizando a estética do cinema mudo, o curta relata de forma leve e agradável a relação de amor entre uma garota de programa e seu namorado, que busca as estrelas do céu para declarar sua devoção.
O nome dele o Clóvis (Felipe Bragança e Mariana Meliande)
Filme poético que usa a narração psicológica e a falta de diálogos para contar a estória de um casal no conturbado carnaval carioca.
O brilho dos meus olhos (Allan Ribeiro)
O paraíso pessoal de um sensível trabalhador braçal, sufocado por sua pesada rotina diária, que encontra na música o seu refúgio. O curta, rodado em p&b, revela suas cores apenas no momento em que o protagonista canta, mostrando toda beleza daquele ato.
Jonas e a baleia
O curta explora de forma belíssima a linguagem do vídeo, através do uso de desenhos e de letreiros durante as cenas. Do mesmo diretor de “O nome dele o Clóvis”, o filme narra a difícil relação de um presidiário com sua família e o tormento não da prisão, mas da possibilidade de liberdade que o mundo, no caso o mar, oferece.
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